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15/03/2008

Faz-me espécie...

Uma das coisas que mais me consegue pôr fora do sério é a nítida falta de educação. Tive a oportunidade de me cruzar com este sentimento no decorrer da semana. Estava eu sentada em determinado local à espera que me atendessem para determinada coisa (prefiro não divulgar muito mais porque não é chamado para o caso) quando me cruzei com não sei quantos funcionários, alguns deles, com uma característica em comum: falta de educação.
Ensinaram-me os meus pais que se deve cumprimentar as pessoas, ainda que não sejam do nosso conhecimento diário. Ensinaram-me os meus progenitores a dizer "Boa tarde", "Bom dia", "Até logo", cenas básicas do dia-a-dia que deveriam estar interiorizadas em cada um de nós. Afinal, ser bem-educado não custa mesmo nada e sabe tão bem a quem recebe determinado cumprimento.
Nem sequer me passa pela cabeça não cumprimentar as variadas pessoas que vão à redacção do jornal onde trabalho e que esperam por alguma reunião ou para serem atendidas. Custará assim tanto dizer boa tarde? O mais interessante é que uns quantos funcionários do determinado sítio onde estive foram bem-educados comigo. Outros tantos passavam, olhavam para mim, continuavam a olhar e mantinham o seu ritmo, demonstrando uma clara e nítida e falta de educação. Ninguém é obrigada a cumprimentar o outro mas, num momento em que todos andamos absorvidos pelo dia-a-dia repentino e stressante, estes pequenos gestos sabem tão bem e fazem tanto a diferença!
Faz-me espécie haver pessoas mal educadas, com a mania da superioridade e com falta de senso comum. Este tipo de situações nem sequer deveriam ser discutidas. Cumprimentar o outro, dizer boa tarde ou bom dia não deveria ser posto em causa. Para mim, são cenas tão básicas como comer, vestir, fazer a higiene pessoal. Pena que nem todos tenham esta ideia bem interiorizada.
PS 1 - Ontem tive o privilégio de ver uma criança com 20 minutos de vida, num hospital de Lisboa. Tive de ir entrevistar uma médica e quando andava à sua procura, tive a grande sorte de entrar num elevador com um recém-nascido acabadinho de vir ao mundo. Simplesmente fenomenal! Fiquei absolutamente arrepiada.
PS 2 - Para dar continuidade a este meu lado maternal, ontem à noite fui a eleita para tomar conta do meu sobrinho e ajudar a minha cunhada com o banho. Tive direito a mais de quatro horas só para mim, onde ele chorou, comeu, tomou banho, dormiu e esteve ao meu colo. É uma sensação absolutamente única e indescritível. Eu amo o meu sobrinho Gonçalo, tal como já amo o David que ainda está na barriga da mãe. Ser tia é fantástico e eu estou a adorar este novo papel. O pior é quando só me apetece estar com ele e a tal vida stressante não o permite.
PS 3 - Aproxima-se uma semana muito complicada de fecho, numa altura em que o meu pai irá comemorar mais um ano de vida. Vamos ver como se safo "mais uma vez" desta loucura laboral.
PS 4 - Esta semana, nas bancas, uma nova revista de saúde. Boa paginação, conteúdos ricos e tudo para ser um sucesso. Boa sorte! Tive o privilégio de pertencer (n'uma pequena parte) nesse processo. Sinto-me orgulhosa por isso!

16/01/2008

Anúncio para jornalista ou talvez não!

Todos sabemos que o mercado jornalístico não está nos melhores dias e que os anúncios são cada vez mais escassos. De vez em quando, recebo alguns alertas de anúncios de emprego e ontem houve um que me deixou curiosa. Costumo mandar algumas destas escassas oportunidades a amigos que ainda estão desempregados nesta dura vida de jornalista ou mesmo para evoluir enquanto carreira e profissional. Nunca se sabe quando nos deparamos com uma nova oportunidade, pelo que estou permanentemente atenta. No entanto, não consegui mandar este anúncio a ninguém nem ajudar nenhum amigo da área. E porquê? Porque as funções exigidas são muito variadas e vão além da profissão de jornalista. A referida oferta pede um(a) jornalista para cobrir eventos e redigir artigos. Até aqui, tudo muito bem. Nada de surpreendente para a função que desempenho diariamente e a profissão que escolhi. A melhor parte vem a seguir: a pessoa a recrutar deverá "vender publicidade e assinaturas", o que a empresa intitula de "colaborador para todo o tipo de trabalho inerente à gestão de um jornal". Curioso é que não exigem carteira profissional de jornalista, o que não é de estranhar. Qualquer jornalista sabe que um dos princípios deontológicos desta profissão é, e passo novamente a citar, "O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional". Ora, parece-me claro que um jornalista não é comercial e que a integridade desta profissão obriga a que não se envolva em vendas directas de publicidade, ainda que, para uma mesma publicação onde seja responsável por conteúdos.
Raras são as oportunidades no meio do jornalismo e, pelo contrário, são muitos os anúncios à procura de comerciais. Cada um no seu posto e com as suas funções. Misturar as duas profissões e exigir que um colaborador se envolva em ambas é que me parece meio sinistro. Pena é que os escassos anúncios que vão surgindo sejam de estágio, mal remunerados ou a solicitar o típico "colaborador pau para toda a obra", que é como quem diz, "polivalência acima de tudo". Esta é a actual realidade por que passa a classe jornalística e este anúncio foi publicado num conceituado site de emprego na área de comunicação. Acredito que as respostas tenham sido imensas, a avaliar a quantidade de colegas licenciados que não têm emprego ou trabalham em áreas muito diferentes daquela no qual se formaram.
Com estes pequenos exemplos, como é que um jornalista pode crer num futuro melhor? Fiquei tão surpreendida com as funções exigidas pela empresa, que não quis deixar de partilhar convosco.